terça-feira, 28 de junho de 2016

Casada à Força


Porrada
Fuga. 
Casamento forçado. 
Um filho. 
Violência. 
Tribunal. 
Loucura. 
Pais. 
Porrada
Anorexia. 
Humilhação



Fotos: Cláudia Pereira. DR
Ainda hoje em França mais de 50 mil mulheres são vítimas de casamento forçado. França é só um dos locais onde, tal como a muçulmana Leila, aos 20 anos (ou até mais cedo) casam por obrigação, deixando para trás o sonho de casar por amor.

Leila sempre se opôs aos valores muçulmanos, começando a fumar, o que era mal visto pelos seus pais, que reagiam a esses insultos, agredindo-a. É nos anos 90 que esta jovem de nacionalidade francesa procura lutar pelos valores que defende, contra o poder de tradições. Foi muito persistente e sofreu por isso.

Ainda experimentou apaixonar-se mas quando percebeu que aquele não era o homem da vida dela, já outro lhe começava a ser imposto. Os pais preparavam-lhe um casamento por conveniência com um homem de Marrocos que ela não conhecia e muito menos amava. Tentou resistir, ficou doente, mas acabou por ser obrigada a casar com um homem 15 anos mais velho que ela, obrigada pelos pais. A cerimónia é feita em Marrocos e registada legalmente em França. Leila fica unida no papel com um homem que não conhecia. 

Tudo piora quando ele mostra, mais tarde, que tudo não passava de um truque. 

Um ciclo vicioso de sofrimento. Uma mulher lutadora, que acreditou e lutou pela igualdade e contra o poder da tradição muçulmana. 

---

Leila é um exemplo de tenacidade e perseverança que me inspirou. Fez-me perceber a minha ignorância quanto a temas que fazem tantas pessoas chorar e de que eu não tinha muito conhecimento, sobretudo porque é diferente ler que "A Maria está a passar fome" do que viver a realidade da "Maria", perceber o sofrimento da "Maria". Faz falta essa compaixão e o pormo-nos na pele do outro, que até pode ser nosso vizinho, mas que não ouvimos e não sabemos as necessidades e o seu sofrimento.
Gostei do livro, mas considero faltar mais contextualização. Há que ver que, ao lê-lo, podemos cair no erro de julgar a religião sem a conhecer. Claro que a história de Leila é real e comum a outras mulheres, mas por alguém ser muçulmana não significa que foi casada à força. A mulher tem direitos em qualquer religião e antes de julgarem uma religião lembrem-se que há sempre várias correntes dentro delas, todas elas têm aspetos que podiam ser melhorados e todas devem evoluir.

Não conseguiste tudo, conseguiste muito. Parabéns, Leila! 

Poderá também gostar de ler a opinião sobre Escrava do Estado Islâmico. Basta um clique na fotografia:



Sem comentários:

Enviar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Pin It button on image hover