terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Lisboa na Moda

“O encontro entre a atualidade e a fotografia”


Walter Benjamin


Baixa de Lisboa foi edificada por ordem do Marquês de Pombal, na sequência do terramoto de 1755, mas desde esse ano que tem sofrido inúmeras transformações. 
Houve uma descaracterização do coração da cidade aos níveis demográfico, arquitetónico, económico e, sobretudo, comercial? 

Este é o meu portfólio final de Fotojornalismo sobre o impacto do turismo nas lojas tradicionais e históricas portuguesas da Baixa de Lisboa – a “descaracterização da Baixa” como consequência do boom do turismo.

Boom do Turismo

Em 2015, a capital recebeu 3,5 milhões de turistas, um acréscimo de 42% face aos 2,5 milhões de visitantes estrangeiros em 2011 (fonte: DN). 


Rua dos Fanqueiros, 24 de novembro de 2016

Consequências


Alteração legislativa: Lei das Rendas - mecanismo de despejo criado pela alteração da Lei do Arrendamento Urbano, em vigor desde Novembro de 2012. É concedido aos senhorios um novo prazo para despejarem os inquilinos, caso as partes não cheguem a acordo sobre a atualização da renda. O fenómeno terá especial relevância nos arrendamentos comerciais.


Aumento de rendas: O turismo centra-se sobretudo na Baixa de Lisboa. A maior procura por lojas, especialmente na rua Augusta, tem tido efeitos no gradual aumento de rendas ao longo de 2015.

“Baixa de Lisboa e do Porto: rendas de lojas de rua disparam”

A Câmara Municipal de Lisboa (CML) lançou em 2015 uma iniciativa que classifica o comércio tradicional de Lisboa como “Lojas com História”, dadas as “suas características únicas” e o seu “reconhecido valor para a identidade da cidade”. Já foram distinguidas 63 e concentram-se na Baixa Pombalina e no Chiado. Segundo o Público, este primeiro grupo de lojas distinguidas tem uma média de 110 anos. Entre elas há duas com mais de dois séculos: o Café Restaurante Martinho da Arcada e a Caza das Vellas Loreto. 


O programa visa “apoiar e promover o comércio tradicional como marca identitária da cidade de Lisboa”. “Salvaguardar as lojas ainda existentes com características únicas e diferenciadoras da atividade económica e cuja história se confunde com a própria história da cidade” é também uma ambição desta iniciativa camarária, acrescenta o Público.

Da lista fazem parte espaços como A Ginjinha Sem Rival, Aníbal Gravador, Brasileira, Casa Macário, Confeitaria Nacional, Farmácia Barreto, Ferragens Guedes, Florista Pequeno Jardim, Hospital das Bonecas, Leitão e Irmão, Londres Salão, Luvaria Ulisses e Manteigaria Silva.


Rua do Carmo, 02 de dezembro de 2016


Degradação de edifícios
Praça da Figueira, 02 de dezembro de 2016
Nos pisos acima da Pastelaria Suíça podem ver-se diversas janelas abertas há muito tempo. Nunca são fechadas. O objetivo é, segundo o Observatório das Transformações XXXX de Lisboa, “acelerar o processo de degradação do edifício, para assim poder forçar a CML a autorizar obras profundas”.

Lojas que fecharam

Rua dos Fanqueiros, 24 de novembro de 2016

Rua dos Fanqueiros, 24 de novembro de 2016

Loja de tecidos “Tavares Panos”, com 223 anos, fechou portas a 31 de julho de 2016 porque não se modernizou. Estava situada entre os números 61 e 71 da Rua dos Fanqueiros. Uma notícia de 14 de julho de 2016, no site “O Corvo” titulava “Loja de tecidos da Baixa aberta desde 1793 vai dar lugar a loja de produtos turísticos e acrescentava nos parágrafos seguintes: “No lugar da loja, nascerá um estabelecimento comercial dedicado à venda de recordações turísticas, explorada por empresários do Bangladesh, à imagem do que tem sucedido um pouco por toda a Baixa lisboeta”.

Rua dos Fanqueiros, 24 de novembro de 2016

Da afamada “Casa dos Panos”, fundada em Oitocentos, já só resta na porta uma notícia do jornal Correio da Manhã que data de 2008.



O que abre em substituição dessas lojas

- Grandes empresas de comércio

Rua do Carmo, 06 de dezembro de 2016

- L
oja de produtos turísticos explorada por empresários que vendem a custos reduzidos

Rua do Carmo, 06 de dezembro de 2016

Rua dos Fanqueiros, 24 de novembro de 2016
- Hotéis e hosteis: os alojamentos mais caros, quer sejam hotéis ou apartamentos em prédios residenciais, são, em grande parte, propriedade de fundos imobiliários estrangeiros, com destaque para os espanhóis. Os seus clientes são na grande maioria europeus, representando os portugueses uma percentagem que não ultrapassa os cinco por cento.

Rua dos Fanqueiros, 24 de novembro de 2016
- A restauração adapta-se aos turistas e as ruas ficam repletas de restaurantes

Rua dos Correeiros, 02 de dezembro de 2016

Rua Augusta, 24 de novembro de 2016
Rua Augusta, 24 de novembro de 2016
Rua dos Sapateiros, 24 de novembro de 2016

- Novos meios de transporte dedicados ao turismo, como os Tuk Tuk ou os autocarros turísticos. A proprietária da loja "Discoteca Amália" conta que esses veículos passam com turistas mas não param para eles verem as lojas tradicionais portuguesas. No entanto, há guias turísticos que incluem no seu roteiro a visita à sua loja tradicional.

Transporte turístico Tuk Tuk na Rua Áurea, 06 de dezembro de 2016

Fontes de Informação Citadas





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