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quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Nas Gavetas Escondidos #42


Ando muitas vezes à procura da história que não me deixe sair dela antes de acabar de a ler. Pesquiso a qualidade. Procuramos os melhores vídeos, os melhores filmes, o melhor Jornalismo.
O site divergente.pt é excelente ao nível de jornalismo multimédia. Sabe apresentar os conteúdos com a duração certa, procuram as melhores estórias e aquelas que poucos conhecem. Têm aquilo que falta ao jornalismo de hoje: tempo. Conseguem investigar, explicar, produzir conteúdos com qualidade, aprofundar.
Por tudo isto, merece uma atenção especial, a vossa.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A aspirante a médica que escreveu uma carta aberta a Marcelo

0.47 pontos de média a separaram do curso de Medicina em Portugal. Escreveu uma carta aberta ao presidente da República. A Visão publicou-a. As críticas, os confusos e as notícias foram muitas. Tudo com o mesmo ponto de partida: a carta.

Maria Barros candidatou-se ao seu curso de sonho, Medicina, com uma média de 17.3 valores, mas em Portugal as médias de acesso são elevadas e escassas para quem quer cuidar dos outros. Por isso escreveu uma carta aberta a Marcelo Rebelo de Sousa. Esta:

domingo, 23 de outubro de 2016

O crime de José António Saraiva

Devassa da intimidade, com o objetivo de invadir, ferir e lucrar com isso.


Chamaram-lhe "o livro proibido", o que chama a atenção porque, ou o que o autor escreveu é crime, ou a editora Gradiva não quis ver que o era, o que seria estranho. Publicou e “voltaria a fazer o mesmo” (disse o editor da Gradiva) porque o lucro era superior aos riscos. Ou porque publicaria algo “proibido”?
Quando Saraiva contactou a editora que em tempos foi do seu pai,  António José Saraiva, dizendo que tinha um livro para publicar, a Gradiva disse imediatamente que sim, sem o ter lido. A publicação de Eu e os Políticos – O que não pude (ou não quis) escrever até hoje ocorre no momento em que JAS se retira de cargos executivos no Jorna­lismo.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Opinião: Ronaldo atira microfone da CMTV a lago

O jornalista da CMTV, Diogo Torres, perguntou ao jogador: “Ronaldo, preparado para este jogo, hoje?” e, na sequência desta pergunta, o avançado da seleção portuguesa agarrou no microfone e atirou-o para o lago. 


De um lado o ato de atirar um microfone a um lago na sequência de uma questão de um jornalista e, do outro, o facto da CMTV ter entrado numa área onde não era permitida a entrada de jornalistas para questões.

Ponto 1 - Era preferível dizer que não respondia ou simplesmente ficar calado ao ouvir a questão do jornalista em vez de atirar o microfone ao lago. Se a fonte tem direito a não responder, o jornalista tem direito de resposta.

Ponto 2 - A CMTV entrou num local onde não era permitida a entrada de jornalistas. 

Ponto 3 - A CMTV deve apresentar queixa, sobretudo caso o microfone tenha ficado danificado.

sábado, 18 de junho de 2016

A atualidade

Foto: DR
As notícias fazem-se para ser lidas, ouvidas e para informar. Porém, numa sociedade do conhecimento como esta onde a informação circula em todo o lado, será que as notícias são a única forma de estar a par do que se passa? E o Jornalismo... será que está com o seu fim determinado?

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Papéis do Panamá

DR

A fonte da fuga de informação

“A primeira mensagem era apelativa, mas vaga. ‘Olá, querem informação?’ Foi assim que o autointitulado John Doe - nome frequentemente usado pelos anglófonos para falar de uma pessoa não identificada - se dirigiu ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung”, conta o Diário de Notícias.

A maior fuga de informação a que o Jornalismo alguma vez assistiu chama-se “Papéis do Panamá” (Panama Papers, em inglês). Os dados foram divulgados por uma fonte que se identificou apenas como John Doe ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung e disse ter divulgado os documentos devido à “escala das injustiças” que estes revelavam, nomeadamente “a desigualdade de rendimentos”. 
A fonte de informação diz ainda estar disposta a colaborar com investigações criminais "dentro dos possíveis", e salienta que a empresa Mossack Fonseca, "apesar de inúmeras multas e violações das regulamentações que estão documentadas, continuava a encontrar aliados e clientes em firmas de advogados de grande dimensão em quase todo o mundo".

domingo, 3 de abril de 2016

Nos "Media": Da vida religiosa à universidade

Entrevista a Emília da Conceição Ribeiro

É da metrópole e via Skype que o RAMO D’ALÉM conversa com Emília Ribeiro. A vivência da religião começou em casa, mas depressa formou o grupo de jovens do Cercal e foi catequista. Um retiro aos 19 anos foi o “clique” para a vida consagrada. A vida religiosa já a levou a vários países, mas Portugal é agora o destino da sua missão. 

Podemos começar por falar sobre a sua meninice. Como é que foi a sua infância?

Foi uma infância muito agradável, a vivência na aldeia. Eu ajudava em casa e no campo, com os animais e nunca tive dificuldades no ambiente escolar.

Era uma aluna aplicada e os seus professores até diziam para ser professora.

A minha última professora foi sobretudo quem recomendou muito que eu fosse estudar
.
Nessa altura o cristianismo já estava presente na sua vida?

Como em qualquer ambiente cristão, rezávamos o terço em casa, participávamos quase diariamente na Eucaristia, ia à catequese.

Então não integrou nem grupos de jovens nem foi catequista?

Mais tarde. Aos 18 anos formámos um grupo de jovens no Cercal que não durou muito tempo e, nessa altura, ser catequista também ajudou a solidificar a minha fé, a ver as coisas numa perspetiva um pouco diferente.
Houve uma pessoa que me influenciou positivamente, e que eu considero um santo, que foi o padre Bento Simões com quem eu gostava muito de falar.

Qual considera que foi o “clique” para a vida consagrada?

Foi um retiro que fiz, aos 19 anos, na casa das Irmãs da Divina Providência, em Fátima, depois de elas terem falado da sua experiência numa Eucaristia. Começou a marcar de maneira diferente a minha vida.

Chegou a trabalhar de forma remunerada.

Acabei a escola aos 12 e com treze anos fui trabalhar para Fátima numa casa de artigos religiosos e que alugava quartos. Dois anos depois fui trabalhar para Tomar para uma família que tinha duas crianças. Estive lá 5 anos. Conheci uma realidade diferente, que foi a vida na cidade. Aprendi bastante e foi a partir daí que parti para a vida religiosa. Aos 19 anos é que eu comecei a questionar o futuro, depois de a minha Mãe morrer. Foram seis anos de luta, de procura, mas sempre querendo fazer aquilo que eu sentisse que era a vontade de Deus. Não a minha.

A morte da sua Mãe aos 16 anos pôs à prova a sua fé?

Não. Pelo contrário. Aliás, o padre Bento Simões foi quem me ajudou a ver que onde ela estava agora podia fazer muito mais por mim e por toda a família.

Como surgiu a decisão de ir para as Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres?

Depois do retiro e de passar fins de semana com as Irmãs da Divina Providência, percebi que não me sentia bem identificada com o que elas faziam. Faltava-me alguma coisa para dar o passo. Aos 21 anos, as Irmãs Concepcionistas convidaram-me para um retiro na casa delas e comecei a ir a outros com elas, a conhecer o trabalho que elas faziam. Isso entusiasmou-me. Fez-me ver que me sentia identificada com esse carisma.

Como é que os seus pais (pai e madrasta) reagiram à decisão?

O meu pai dizia-me que era muito sério e que não andasse a brincar com isso. Eu sabia que ele se sentia muito orgulhoso.

Ingressa na Congregação e vai para onde?

Primeiro estive em Fátima, depois em Elvas. Em 1997 fui para Roma e em 2000 para Moçambique.

Quando se lembra de África, o que é que pensa?

Tenho muitas saudades, foi uma missão que me encheu as medidas, porque senti que o trabalho que fazia ali podia não ser nada mas era muito para as pessoas que servíamos, principalmente para as famílias que ajudávamos no interior e para as crianças órfãs, desnutridas e com SIDA. O último trabalho que fizemos foi abrir uma casa para crianças órfãs que me chamavam “Mamã, Mamã!”. Tudo o que fazia dava-me muito gozo.

Foi difícil voltar para Portugal?

Depois de lá ainda fui para Timor, onde se vive uma situação diferente, porque não há tanta ‘miséria’ como em África. Vir para Portugal foi encontrar uma situação totalmente diferente, toda uma ‘engrenagem’ a que já não estava habituada. Desde o princípio coloquei nas mãos de Deus para que ele decidisse aquilo que ele achasse melhor e a obediência a Deus passava pela obediência às minhas superioras.

Então não foi uma decisão sua.

Não. Quer dizer, não foi uma decisão minha, mas acatada e muito bem aceite por mim.

Da mesma forma não foi uma decisão sua ir para a Universidade Lusófona, para o curso de Contabilidade, Fiscalidade e Auditoria.

Não, não foi e estava longe dos meus planos.

Como está a correr?

Mais ou menos, sobretudo ‘pelas matemáticas’ que estão um bocado esquecidas. Foram muitos anos sem estudar.

Por fim, o que significa para si ser freira?

Significa estar livre, disponível para servir o Senhor ao jeito de Madre Isabel, fundadora da nossa congregação. Vivemos com base nos votos de castidade – castidade, obediência, pobreza. É difícil a sociedade de hoje entender a vivência dos votos, mas para mim tem um sentido muito grande.

Entrevista para jornal RAMO D'ALÉM

Foto:DR

Foto: DR

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Piropos de teor sexual levam prisão

“Quem importunar outra pessoa, praticando perante ela atos de carácter exibicionista, formulando propostas de teor sexual ou constrangendo-a a contacto de natureza sexual, é punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias, se pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal.”
Agosto de 2015 trouxe uma lei renovada: os piropos de teor sexual passaram a ter uma pena de prisão que pode chegar aos três anos, devido a uma proposta da então maioria parlamentar de direita, composta por PSD e CDS.
“Renovada” por se tratar de um acrescento ao artigo 170 do Código Penal sobre a

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Nos "Media": Dia da Internacionalização desafia a mobilidade

Na sequência da minha colaboração com o PIMC (Projeto Especial Imagem, Media e Comunicação), apresento-vos uma reportagem que se encontra integralmente em http://noticias.uc.pt/multimedia/videos/dia-da-internacionalizacao-desafia-a-mobilidade/ . 


No dia 4 celebrou-se o “Dia da Internacionalização da Universidade de Coimbra” (UC) que, para além da sessão solene, conta com mais iniciativas ao longo do mês de novembro. O evento inaugural teve lugar no auditório do Museu da Ciência da UC e contou com a participação de várias pessoas e entidades ligadas à internacionalização, bem como de estudantes de mobilidade cuja experiência internacional passa pela UC. (...)

Reportagem realizada por Cátia Barbosa, Cláudia Pereira e Joana Veríssimo, estudantes de Jornalismo da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

sábado, 24 de outubro de 2015

Nos "Media": As Mil e Uma Noites numa tarde no TAGV

A UCV - Televisão Web da Universidade de Coimbra (também conhecida por PIMK) é a minha mais recente colaboração.

Estou há cerca de um mês neste projeto e tem sido uma experiência completamente enriquecedora. Coloco em prática os conhecimentos das aulas e os profissionais que nos ensinam fazem-no com gosto, sem problemas. Ensinam de tudo um pouco. São mesmo simpáticos connosco, aprendizes.

Mais do que grata por pertencer a esta televisão universitária, estou satisfeita com a publicação do meu primeiro trabalho.

Foto: Cláudia Pereira. DR

Esta é a fotografia publicada de que vos falo. Encontra-se disponível em http://noticias.uc.pt/universo-uc/as-mil-e-uma-noites-numa-tarde-no-tagv/ .

História do Primeiro Trabalho Publicado

Chegada à Casa das Caldeiras, sede da UCV, fui confrontada com um desafio fotográfico. Eu e duas colegas tínhamos de ir ao Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) e fotografar os cartazes da trilogia "As Mil e Uma Noites". Éramos três pessoas e cada uma tinha de tirar dez fotografias diferentes a um só cartaz. (Agora já percebem porque lhe chamei desafio.)

No final apenas uma fotografia ia ser escolhida. Para tal, tivemos de selecionar o local mais adequado, inclusive no que toca à iluminação, para que captássemos as melhores fotografias. Depois foi preciso dar asas à imaginação para conferir várias ângulos de um mesmo cartaz.

Das dez fotos que tirei talvez duas ou três tenham ficado bem. As minhas colegas tiveram uma prestação muito boa. Uma delas tinha as dez bastante boas até, mas um pormenor na parede estava demasiado visível e estragava um pouco a imagem.

Mais trabalhos se avizinham. Até lá, Internautas!

sábado, 12 de setembro de 2015

Opinião: O vício dos 'likes'


"Quero mais", mais e mais. Este é o pensamento que invade quem está viciado, quem já não impõe limites à sua ambição. O desejo de ser famoso, de ter "gostos" nas Redes Sociais e para tal não olhar a meios para atingir os fins.

É esse o problema: uns destroem barreiras com o seu trabalho árduo e outros querem atingir o estrelato de qualquer forma. No programa "Você na TV", da TVI, transmitiram

domingo, 16 de agosto de 2015

O Universo está a morrer

As estrelas estão a morrer. Muitas delas. Por conseguinte, o Universo também. Esta é das piores notícias da semana que está a ser apresentada no Bom Dia Portugal Fim de Semana da RTP1.


Não vou adiantar pormenores e explicações técnicas para que não diga asneiras científicas. Porém, é de extrema importância que esta má notícia seja divulgada, ao contrário do que está a ser feito. 

Podem ler o artigo do Expresso que explicita bem esta matéria.


P.S.: Já ouviram Miguel Gonçalves a falar sobre estas descobertas científicas? Ele é incrível! Explica tudo de forma simples e criativa. Hoje até aconselhou livros.

sábado, 15 de agosto de 2015

Opinião: Há coisas que não percebo

Porque é que os programas que ensinam só são transmitidos à noite? Jornalismo e entretenimento são duas realidades opostas?

Entre os quatro canais generalistas, o mais educativo é a RTP2. De manhã à noite quem quer aprender tem um canal. Os outros preferem copiar-se e apostar mais no entretenimento. Neles pode-se aprender, mas é preciso estar bem atento para que a informação útil não nos passe ao lado.

Sou apologista do entretenimento e da informação. Dois polos diferentes. Não obstante, também gosto da ideia de que a rir se consegue aprender bastante. Daí gostar do Você na TV, programa de entretenimento. Por exemplo, recentemente falaram sobre mesas do século XVIII e fiquei a saber várias curiosidades interessantes que me cativaram de imediato.

Por outro lado, discordo totalmente de haver entretenimento num telejornal, onde é (pelo menos) suposto ser só Jornalismo. Significa que se deve separar Jornalismo de entretenimento, pois quando se vê o telejornal não é suposto rir. Não é esse o objetivo. Desopilar é sim o intuito de programas como o Você na TV. Porém, exemplificando, o telejornal da TVI (e a TVI24) teve uma atitute que não gostei nada e que mudou rapidamente o facto de eu já não clicar no canal 4 às 20 horas. Em pleno telejornal da noite, Judite de Sousa lê no teleponto que Miss Piggy e o sapo Cocas anunciam a sua separação. Como é normal, não o disse de forma séria, mas sim com um leve (sor)riso. Mais, em plena época de estio, o Parlamento está de férias pelo que os telejornais se tornam revistas cor de rosa. Andam atrás dos famosos/políticos para saber tudo sobre as suas férias e é como se não houvesse nada para dizer a não ser "política(os) na praia" ou gastronomia.

Não se aprende nada. Não se vêem reportagens no sentido pleno do termo. E o Jornalismo vai de férias. Já eu acredito que se aproveitassem esta altura para cativar os espectadores a ver Jornalismo de qualidade mais depressa ganhavam audiências. Afinal, não é nisso que (infelizmente) os canais querem?

Neste contexto de desagrado, a ansiedade de colmatar essa falta de qualidade e profissionalismo, leva-me a outros canais. Felizmente, esta semana passei a ter mais do que quatro canais na televisão. Caso contrário, a caixa mágica estaria desligada até setembro.

Recentemente (re)descobri então programas que ensinam. (Sim, eles existem.) O Quem Quer Ser Milionário e o The Money Drop são de dois canais generalistas. O que mais adoro é o primeiro, com o Malato, e dá à noite. O segundo é transmitido a boas horas. Depois, descobri o Sabia Que? do qual fiquei viciada. É mesmo incrível! Da RTP2 podia elencar mais uns quantos que gosto bastante. Um deles é sobre artistas. Dava à noite. Nunca mais o vi.

Percebem o problema? É que o entretenimento quando bem feito é espetacular e, por vezes, até se pode aprender. Porém, no verão os telejornais não fazem Jornalismo, mas sim outra coisa. Sem designação. Portanto, quem tem mais de quatro canais pode ver informação de qualidade, senão tem a RTP2 todo o dia. Ah! E ainda há a opção Internet para ver televisão, mas esta não é acessível a todos.  

Por fim, se a televisão deve ter o papel de serviço público, então há várias coisas que devem mudar. Não pensem só nas audiências. Caso assim continue, então o desinteresse vai aumentar e o conhecimento dos cidadãos que vêem televisão estagnar. Sim, porque nem todos têm acesso a mais de quatro canais e outros nem acesso a televisão têm. 

Serviço público de qualidade, regressa. Preferimos-te a ti!

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Opinião: "Fazer entrevistas por e-mail não é uma entrevista é mais um questionário"

"Fazer entrevistas por e-mail não é uma entrevista, é mais um inquérito do que uma entrevista", defende José Alberto Carvalho numa entrevista ao programa E2 (RTP2). Eu vejo da mesma forma essa confusão entre Jornalismo e questionário. Porque uma entrevista jornalística é, nas palavras do jornalista, "lermos o rosto do nosso interlocutor, percebermos quando ele está a patinar numa resposta, quando ele não está suficientemente à vontade com um determinado raciocínio e interagir". Isto é, o entrevistador não pode ficar preso às perguntas que pré-preparou e tem de tentar saber muito mais para além do já conhecido. 
Ao invés, as novas tecnologias e a facilidade da Internet trouxeram erros que considero graves para o Jornalismo. Fico completamente preocupa e de certo modo irritada quando leio "entrevista" e sei que por trás está um e-mail. Não aceito isto. O que é que isso tem de entrevista?!
O problema dos questionários por correio eletrónico é precisamente o facto de o entrevistado poder reformular e corrigir as suas afirmações quantas vezes quiser. Nesse formato "o entrevistador tem tempo para pensar e para articular uma resposta", acrescenta José Alberto. 
Tal como já tinha sugerido num outro post, usem os e-mails para perguntar a disponibilidade do entrevistado e recorram ao Skype para as entrevistas. Sim, porque as deslocações nem sempre podem ser feitas pelo dinheiro necessário às mesmas.
A verdadeira entrevista jornalística é portanto aquela pela qual sou uma apaixonada. É a entrevista que desafia o interlocutor a pensar, mas também o próprio entrevistador tem de lidar por vezes com temas inesperados pois nunca abordados publicamente pelo entrevistado. É fazer as questões mais delicadas como também dar espaço para que se o entrevistado não quiser responder...tudo bem.

Já publiquei duas entrevistas cá no blogue que podem ler: ao João Torres e a João Santos.

Podem ler o post a que fiz referência AQUI

sábado, 11 de julho de 2015

"O ensino atual cria papagaios de repetição e cidadãos passivos"

Foto: Cláudia Pereira
Em entrevista ao Ensino Magazine, a escritora Inês Pedrosa defende uma reestruturação a fundo da educação portuguesa para "estimularmos o sentido crítico dos jovens". Acredita que o ensino atual origina "papagaios de repetição e cidadãos passivos, não cabeças ativas e curiosas".

"Desvaloriza-se o ensino das Humanidades e das Artes (a quase inexistência de educação musical é vergonhosa), sobrevalorizam-se as ciências ditas exatas", critica Inês, licenciada em Ciências da Comunicação. Além disso, defende ser importante haver debates nas escolas.

Mãe de uma menina de 17 anos que quer estudar Cinema, a escritora fala da desvalorização da cultura em Portugal. Porém, é a área "que transforma as pessoas e as torna capazes de pensar, criar, mudar o mundo". O problema reside no "entretenimento básico" que não analisa os problemas de raiz. "A cultura virou uma indústria de entretenimento, completamente subvertida dos valores essenciais", concluindo que há uma mistura de diversas áreas com o entretenimento.

No seu livro Desamparo, uma das personagens é uma mulher na Presidência da República, em Portugal. A autora explica que, de modo alegórico, "uma mulher Presidente seria um sinal de mudança importante". "As mulheres devem ter um lugar na política porque devem ter os mesmos direitos, oportunidades e consideração que os homens, e não por serem mais boazinhas ou honestas do que eles. Há uma série de mulheres, nos vários partidos políticos, que têm provas dadas e percursos que as tornariam excelentes candidatas à Presidência, mas não se fala delas".

Por fim, a jornalista Inês Pedrosa coloca defeitos na sociedade "demasiado individualista" que só se mobiliza para o futebol e apenas se une em prol do "tenebroso vício das cunhas". Ao invés, no desporto "a visibilidade mediática decorre do mérito e das qualidades pessoais".

Foto: Cláudia Pereira

Fonte de Informação
Da Silva, Nuno (2015), "O ensino atual cria papagaios de repetição e cidadãos passivos". Público, Nº 206, abril, pp. 2-4.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Nas Gavetas Escondidos #28

Parlamento húngaro aprova construção do muro para travar imigrantes


A Hungria localiza-se no cerne da Europa Central e integra a União Europeia desde 2004. Os valores dessa União são: respeito da dignidade humana, liberdade, democracia, igualdade, Estado de Direito e respeito pelos direitos humanos.

Ao contrário de tudo isto, o Público noticia que "o parlamento da Hungria aprovou na terça-feira um novo pacote de leis que permitirá ao país, segundo a pretensão do Governo, controlar o crescente fluxo de imigração dos últimos meses. A assembleia nacional deu luz verde à construção de um muro de quatro metros de altura [e uma extenção de 175 quilómetros], ao longo da fronteira com a Sérvia e aprovou uma série de medidas anti-migração".

As novas leis pretendem, segundo o ministro do Interior, Pinter, facilitar a “identificação entre os migrantes que precisam realmente de proteção e os que são tipicamente migrantes económicos”.

Opinião

As novas medidas entrarão em vigor em agosto. Clarificando, em agosto teremos o mundo dividido visivelmente, já que a separação norte/sul só não existia no mapa

"O Governo afirmou que este ano já entraram no país perto de 72 mil migrantes, um número significativo quando comparado com os 43 mil que chegaram à Hungria, durante os 12 meses de 2014". Porém, embora o número seja significativo, nada justifica a criação de um muro. Nada justifica o fim dos ideais da União Europeia como a conhecemos inicialmente.

"O muro, diz Lazar, 'é temporário' e a sua existência dependerá de uma 'solução definitiva' por parte da Europa". Desde quando é que um muro construído é temporário?! Algum dia há de ser derrubado como o Muro de Berlim, mas temporário não há de ser. 

Apoio a opinião de Cecilia Wikström, porta-voz para as Migrações do grupo do Parlamento Europeu, a Aliança dos Liberais e Democratas pela Europa (ALDE). Cecilia disse que as novas medidas húngaras são “inaceitáveis”, “xenófobas” e “contrárias às leis europeias”

O papel dos meios de comunicação também deve ser visto como não cumpridor, dado que este é um caso que merece ser manchete. Este é claramente mais um desafio à União Europeia. Honrem o Prémio Nobel da Paz que receberam em 2012. 

domingo, 5 de julho de 2015

"O jogador era o analfabeto que não comia com talheres"


Jogador, analfabeto e não comia com talheres. É António Oliveira, ex-jogador de futebol do FC Porto, Bétis, Penafiel, Sporting e da seleção nacional. 

"Qualquer gajo pode ser doutor, mas, jogar à bola, pode andar 100 anos que não chega lá". António cursou Direito para provar à Mãe que essa afirmação era verdadeira e terminou a licenciatura aos 54 anos. O lema "por cada leão que cair, outro se levantará veio da [sua] cabeça" e não adianta explicações.

Numa entrevista ao Expresso, quando lhe perguntam "de todos os jogadores com quem jogou, qual o melhor" responde ser "o Oliveira", mas não diz explicitamente que se refere a ele próprio. Não obstante, António Oliveira tem um percurso notável no mundo do futebol. 

O "menino Toninho" foi aos 15 anos a um treino às escondidas dos pais e foi escolhido para os juvenis do FC Porto. A condição para lá jogar era continuar a estudar, pelo que Oliveira foi estudar para o lar do FC Porto. Logo aos 17 anos foi chamado ao plantel principal.

“Não admitia que nenhum jogador ganhasse mais um

cêntimo do que eu. Podia ganhar igual; mais não.”

Ganhou o galardão Associação dos Jornalistas de Desporto (CNID) três vezes (1978, 81 e 82). O prémio distingue o melhor futebolista português e "até ao Eusébio eu ganhei alguns prémios", afirma com orgulho.



Texto com base em:
Expresso, 14 de março de 2015, pps. 52 e 53
Imagem Rui Duarte Silva

sábado, 4 de julho de 2015

Futebol à Parte #3

Patrícia Rodrigues no JAC - Alcanena. DR
Patrícia Rodrigues é a "menina-prodígio" do andebol e vai para a Alemanha jogar na primeira divisão. O contrato com o clube HSG Blomberg pode ir até três épocas.



terça-feira, 30 de junho de 2015

Opinião: Filme "O Tigre e a Neve"

Nicoletta Braschi com o ator e diretor Roberto Benigni em The Tiger and the Snow.
"Na generalidade, os filmes de terror apelam à razão. O Tigre e a Neve apela ao coração", disse Benigni numa conferência de imprensa em Roma. 
Data de 2005. Roberto Benigni é o ator principal e realizador de O Tigre e a Neve. Casado com Nicoletta Braschi, a produtora, o filme deixa-nos na esperança de que a vida das personagens seja bela. Assim nos cativa desde o seu começo.

Comédia, romance e drama. Um filme talvez demasiado romanceado de alguém que não se importa de dar o seu corpo às balas, ou melhor, de ir para um local em guerra (Bagdade, Iraque) pela mulher dos seus sonhos. Attilio de Giovanni, o poeta, mostra-nos a vida do rapsodo como algo permanente, que é vivido e sai naturalmente. De forma análoga, os textos de Fernando Pessoa refletem a sua vida de poeta.
Então, afinal, será este um filme ou um texto poético? Mergulhamos nas palavras dos atores, mas entretanto tudo passa. A eterna amada Vittoria sai de casa porque a poesia assim o determinou. Entretanto, acaba por ser vítima de um dos bombardeamentos anglo-americanos em Bagdade. Parte moribunda para o hospital onde se desenha a história do amor e da esperança em permanente sobressalto.
No meio da correria tem de se parar para pensar, como na poesia. E pensar talvez seja a palavra de ordem. Pensam demais as personagens! E será que o mesmo não acontece na vida real? 
É imperativo lembrar que quer se queira escrever um texto triste ou alegre é preciso ser feliz.


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