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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Discriminação

Desvaloriza-se o nacional, mas eu sou defensora do nosso Portugal, porque tem muito para dar, para nos dar. À beira-mar plantado, esquece-se muitas vezes dos que existem em menor número, seja os do Interior, seja as minorias étnicas ou religiosas. Se pensarmos bem, nós que dizemos que não discriminamos pela raça, etc somos aqueles que às vezes o fazemos sem nos darmos conta.

Hoje falei com aqueles com quem nunca tinha falado. Talvez pela língua, talvez porque não calhou. Hoje que conheci as histórias de várias pessoas do Bangladesh, venho mais rica e penso bem mais no quão ridícula estava a ser. Estranhava quem não conhecia. Nem lhes dizia bom dia ou boa tarde quando são pessoas por quem passo todos os dias. Dizem-me vocês que na cidade não tenho de cumprimentar todos como se faz na aldeia, mas eu posso contrariar essa ideia de que na cidade tem de ser obrigatoriamente assim. Porque não havemos de cumprimentar quem nunca falámos mas que está sempre lá, nos vê passar?

É certo que já conheci uma mesquita e alguns crentes do islamismo. Antes de os conhecer diziam-me para ter cuidado, todos me alertavam e ficavam espantados por ter essa coragem de ir a uma mesquita sendo Católica Cristã, mas não era um caso de coragem o meu, porque somos todos iguais. Hoje foi a vez de falar com pessoas do Bangladesh. Homens que estão em Lisboa, que fugiram da crise política, que estão preocupados com o seu país e que vêem Portugal como a luz das suas vidas.

Desde que cheguei a Lisboa que via imensa diversidade étnica. Um grupo de chineses, outro ali ao lado de indianos, portugueses, ingleses... era novo para mim, eu que estava habituada a conviver com africanos, brasileiros, romenos mas era diferente. Aqui é diferente, mas é tudo igual no final e hoje redescobri isso. Por exemplo, há o preconceito de que os ciganos roubam. Eu que uma vez fui assaltada por ciganos comecei a partir daí a desconfiar, a pensar se o preconceito estaria certo. Sei que não está até porque é uma generalização, mas até que ponto será verdade...pela própria História... Até que ponto conseguimos distanciarmo-nos desses preconceitos, olhar para o "diferente" e nem pensarmos se será diferente. Reforço que vejo essas pessoas de outras nacionalidades como havendo um preconceito associado, algo que não analisa cada pessoa, cada identidade, mas a minha questão é até que ponto nós, ocidentais, que dizemos ser livres e que somos todos iguais, nos conseguimos ver como iguais.

Nesta cidade portuguesa onde as pessoas são anónimas, há medos. O da criminalidade e o do terrorismo. Desconfiamos uns dos outros. No metro, não falamos se não soubermos quem é, baixamos os olhos para o chão porque não se vêem paisagens ao olhar a janela. Nota-se até uma falta de união horrível e um "atropelo" desnecessário. A pessoa que não consegue transportar a mala e passam ao lado, ignoram; ou o turista que está a tentar sair pela porta errada, ficam a olhar e nem gesticulando o avisam (ou falando se souberem inglês); ou o caso de hoje em que o meu cartão do metro não estava a funcionar e as pessoas em vez de tentarem ajudar começaram a bufar, apesar de só ter tentado duas vezes (demorei uns 20 segundos?). Que correria é esta?! Que atropelos? Que falta de união? Que individualismo desnecessário que só nos torna mais infelizes. Ajudar os outros, falar com eles parece-me a mim uma melhor solução, mas se acham que por ser a capital têm de andar de salto alto e com a cabeça sempre a olhar em frente e assim conquistam o mundo...estão enganados...se calhar até conquistam o mundo mas ao olhar para trás o sorriso não será tão gigante. Eu não estou com isto a dizer que ajudo toda a gente ou que estou no caminho mais correto, mas procura ajudar dentro das minhas possibilidades. 

Tanta gente estranha os estranhos. Portugueses com quem nunca falámos mas que vemos todos os dias, muçulmanos ou indianos, pessoas como nós. Estranhamos os nossos.

Os comerciantes do Bangladesh são como os nossos emigrantes. Vieram à procura de uma vida melhor para si e para as suas famílias. Não estamos assim a tratar esses imigrantes da mesma forma discriminatória com que tratam os nossos emigrantes?

Quero com este texto dizer-vos que o mundo é redondo e achatado nos pólos e que todos nascemos da mesma forma. Todos temos uma vida e uma história, um contexto e é isso que nos enriquece. Todos criamos ligações, nos separamos e nos voltamos a cruzar. Não ignoremos as histórias que passam rente a nós. A História somos nós.


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